O Mestre acordou, abriu os olhos e estranhou o lugar em que estava, lembrava-se de estar saindo de sua sala de aula, de ter escorregado, uma dor na cabeça e mais nada…
Passou a mão pela cabeça e sentiu seu cabelo comprido, olhou suas mãos e as viu enrugadas, coçou o rosto e sentiu uma longa barba…
Procurou o espelho e teve um susto, ao invés de um jovem com trinta e poucos anos, que há pouco tempo havia obtido seu título de Doutor em Educação, viu um velho enrugado … assustou-se e gritou…
Uma enfermeira apareceu, gritou a todos que o Mestre havia acordado…
Disseram-lhe que ele tinha dormido por 60 anos, que não era mais 1947 e sim 2007…
Ele começou a pensar nos milhões de perguntas a fazer, sua mente treinada em metodologia da pesquisa tentou classificá-las por ordem de importância, mas eram muitas… Somente uma pergunta apareceu-lhe adequada: O que aconteceu com o mundo e com o Brasil nesses anos todos?
Várias vozes começaram a repetir frases e termos que ele não entendia, ele então, como bom professor, perguntou: tem alguma biblioteca onde eu possa pesquisar nos periódicos o que aconteceu?
Todos se entreolharam, os que entenderam o que ele quis dizer sorriram…
Alguém resolve que ele precisa se distrair um pouco e lhe dão o controle remoto da televisão, ele olha espantado aquela caixinha cheia de botões, não sabe o que fazer, alguém tomou a caixinha e ligou a TV…
Ele deu um salto para trás, ao ver aquela caixa se acender e alguém aparecer de dentro dela, mostrando cenas que, segundo a narração se passavam do no outro lado do mundo…
Sua mente treinada a aprender pensou..Calma, é apenas um cinema portátil e perguntou: Quando ocorreu isso? Lhe responderam que estava acontecendo nesse momento, ele sentiu um calafrio percorrer a sua espinha, se não fosse uma pessoa esclarecida teria deixado palavra que lhe veio a mente escapar: Mágica…
Perguntou novamente da biblioteca e falaram para ele procurar na internet…
INTERNET? Ele perguntou…
Sim responderam, a rede de computadores mundial…
Ele arregalou os olhos… Computadores?
Explicaram e ele ficou meio ressabiado, pediu para ler um Jornal, mostraram-lhe os Blogs… Ele se assustou ao saber que cada um podia escrever o seu jornal, e mais, ele mesmo poderia comentar as notícias que lia, e mais incrível ainda, poderia discordar do jornalista e ali mesmo colocar a sua opinião…
Ele pediu então uma Enciclopédia atualizada… Mostraram-lhe a Wikipédia, dizendo-lhe que clicasse nos Links, ele se maravilhou e perguntou, mas quem é que alimenta tudo isso, responderam qualquer um, atualmente são mais de 290.000 colaboradores…
Ele se assustou e perguntou, Mas quem controla tudo isso? Quem comanda o trabalho? Quem diz o que escrever?
A reposta foi: ninguém e todo mundo…
Ele pulou, o mundo estava louco ou ele estava, saiu correndo, saiu do hospitale chegou a rua…quase foi atropelado por centenas de carros, mais do que ele já havia visto em toda sua vida, todos ao mesmo tempo na rua, acelerando, freando, buzinando…
Ele correu, feito um desesperado, ainda com a roupa do hospital, um roupão aberto nas costas…
Então ele enxergou um prédio familiar, sujo é claro, pichado sim, mas reconheceu uma Escola, uma Escola publica…
Dirigiu-se para lá, entrou, esgueirando-se e foi para o último lugar seguro de que se lembrava, a sala de aula…
Sentiu um certo conforto, a mesma lousa, o mesmo tipo de cadeiras, pelo desgaste deviam ser exatamente as mesmas de seu tempo …
Encolheu-se em um canto e ficou ali, tentando colocar suas idéias em ordem…
De repente entram os alunos, numa algazarra tremenda, ele enrubesceu…
Entra então o Professor, que tem um certo trabalho para controlar a classe e começa sua aula, o velho Mestre parece ser o único a prestar atenção…
Ele percebe que apesar da falta de atenção dos alunos, apesar da falta de disciplina,a aula era exatamente igual aquela que ele ministrava….
Respira fundo aliviado e pensa: Graças a Deus alguma coisa não mudou, pelo menos a Educação do Brasil continua a mesma que a de 60 anos atrás…
Esse texto é uma adaptação e modernização de um texto “O Velho Mestre” que me foi passado pela Professora Lourdes Marcelino Machado há mais de 30 anos…
Minha idéia era comentar o assunto, mas não vou fazer isso, cada um que leia, pense e tire suas conclusões, se quiser, exponha nos comentários sua opinião…
Sei que muitos farão que as coisas estão mudando, mas será que estão mesmo?
Inicialmente,pensei em comentar o assunto, mas desisti…espero que cada um leia, pense e tire suas conclusões, se quiser, envie seus comentários, sua opinião…
Sei que muitos dirão que as coisas estão mudando, mas será que estão mesmo?

Acho que estão mudando mesmoooooooooooooo. o teu personagem entrou numa escola, acho melhor ele visitar outras escolas, milhares e achar A escola. Mas o ideal mesmo é que ele descubra que chegou momento de olhar para as pessoas. peça a ele para conversar com os alunos da escola e entenderá que os anseios são bastante diferentes diante da mesma oferta de educação e talvez ele encontre uma professora que leve seus alunos para laboratório de informática e lá poderá encontrar olhinhos brilhantes, ou não. Mas acho melhor ele se comunicar com os alunos via msn para entender o quanto todos se comunicam via escrita. com português errado, é verdade, mas escrevendoooooooooooooooooooo….issso é uma grande mudança, né? afinal, as cartas antigamente tinham tempo para revisão e eram destinadas a casos românticos ou amigos muito próximos,. hj se comunica via escrita com desconhecidos….ele poderá ficar ainda mais assustado…
RESPONDENDO:
Oi Célia, uma parte da escola, o corpo Discente, os alunos, etá sim mudando, porque a sociedade está mudando, os alunos estão conhecendo, aos poucos e num ritmo muito lento (estou falando da Escola Pública), voce fala em procurar A escola, mas isso é elitizar, meu objetivo com essa história é exatamente criticar a elitização cada vez maior em função do ANALFABETISMO DIGITAL…
O Personagem da história não tem culpa, afinal, ele dormiu por 60 anos, acabou de acordar assustado, é normal que ele busque um lugar onde se sinta confirtável…
O Grande problema são os educadores (professores, diretores, supervisores, delegado de ensino, secretários e ministros), que não dormiram, ou pelo menos deveriam ter dormido, nesses 60 anos façam isos, conversem com a sociedade, conversem com conectados e não conectados e façam algo.
Já atuei com educadores em cursos de capacitaçãod e professores e vi professores que não sabem usar um mouse..e isso no interior de São Paulo, teoricamente mais ligado que o interiorzão do Brasil.
E existe dinehiro pra isso, o FUST está ai, é retido das empresas de Telecomunicação (e indiretamente de todos nós) e o dinheiro é represado, seria possível colcoar vários computadores com banda larga em todas as escolas brasileiras, mas isso não basta, é preciso capacitar professores a usar corretamente a tecnologia com um objetivo pedagógico.
Olá Luiz!
Realmente o mestre encontraria muito mais facilmente escolas nos moldes das que existiam, na época em que ele dormiu… pode até ser que ele encontre, com uma “certa” facilidade, as escolas em que a professora leve os alunos ao laboratório de informática. Mas será que ele vai ficar muito assustado? É tão comum a gente ver as tecnologias serem usadas só para dar um ar moderno às velhas práticas, não é mesmo?
Gostei muito de ler que vc inclui, entre os responsáveis, os educadores (diretores, supervisores, coordenadores) que não estão na sala de aula! Muito se fala da questão do analfabetismo digital do professor, e muito pouco sobre o papel que esses atores desempenham para que a escola continue como a de 1947! Ou nos casos em que a tecnologia é só uma questão de marketing!
Um abraço
Luiz, tudo bem?
Aqui é o Geraldo, você vai lembrar.
Agora, falando de educação publica e da sua inércia, isto somente acontece por uma razão, os seus membros, estudantes, professores, funcionários e pais de alunos, estão aguardando que os governos municipais, estaduais e federal indiquem o caminho, com métodos novos, com computadores , com inclusão digital e com salários também.
Ser professor é um fardo muito grande, para uma categoria que não consegue ler um jornal, ter acesso à internet, comprar um livro, um disco, ou ver um filme (cinema ou DVD) somente podemos esperar a inércia.
Podemos dizer que o professor não mudou.
E o estudante, ele diferente do professor, têm acesso à internet, não para estudar, mas para jogar ou trocar mensagens, que somente eles decifram ou não. Agora este estudante têm mais informações, mesmo que incompletas e diferente daqueles tempos, hoje eles acham que sabem e além disto, questionam o saber dos professores. Uma outra mudança, eles se definem como consumidores de aula, ou melhor de notas para passar de ano.
E os pais. Estes estão ocupados.
Abraços
Geraldo Coura